Músicas, Seriedades, Burridades e Coisas Ogonorantes.

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sábado, 14 de julho de 2012

Gosto não se discute?

Depois do que escrevi ontem criticando a tal homenagem aos 50 anos do mestre Vieira, recebi alguns email’s e telefonemas rebatendo minhas considerações, qualificadas como acidas e ferinas. As ponderações chamavam atenção para a importância desse rapaz para a formação da música popular e da cultura humilde de sua gente. Há quem o comparou, infamemente, aos negros americanos que de forma bruta criaram o blues que se lapidou e originou a grande música americana, o Jazz. Milhões de baboseiras de coisas inconcebíveis e incompreensíveis tentando salvaguardar o que esse tal mestre Vieira com sua guitarra enferrujada e produtora de ruídos fez e representa para a “música” dos ogonorantes. Diante dessas manifestações hilárias fiquei a imaginar o quão é “importante” esse senhor. Provavelmente daqui a 100 anos as pessoas certamente irão lembrar de um filme qualquer, pela cena feita por um ator qualquer, que foi ofuscada pelo fundo musical marcante desse mestre Vieira. E no mesmo momento, essas mesmas pessoas jamais lembrarão do tema musical de Cinema Paradiso, composto  pelo não mestre e músico vulgar Enio Morricone. O filme musicado pelo mestre Vieira vai se perpetuar, enquanto Morricone e a obra de Giuseppe Tomatore evaporou há muito tempo. Os meios de comunicação por essência são universais, não trazem em si a segregação de ritmos e gêneros. É possível difundir cultura para todos, independente do espaço e da condição social e econômica. Recentemente presenciamos a Eurocopa de Futebol realizada na Polônia e na Croácia, e por várias ocasiões assistimos todos os torcedores presentes nos estádios de futebol entoando clássicos de: Wagner, Mozart, Bach, que lhes foram difundidos pelos meios de comunicação, embora lá também exista aos milhares mestres Vieiras, que deixam de ser reconhecidos, pois não merecem respaldos nos escaninhos do que qualificam cultura. Defender os incompetentes e os não músicos com a desculpa esfarrapada de que gosto não se discute, não cabe na arte musical. A música depende de formação, e infelizmente o Brasil e seus meios de comunicação optaram pelo popularesco, pelos ogonorantes, pela ante cultura que se esconde na sombra daqueles que tentam defendê-la como arte popular. Eu do alto de minha convicção de ateu, nessas horas sou capaz de me curvar e pedir: “que Deus o tenha...nas profundezas do inferno”.

8 comentários:

  1. Mais uma vez vou te perturbar pelo exagero. Os EEUU têm ocountry, Portugal tem o Vira, e tantos outros países, europeus,asiáticos e americanos, do Sul e do Norte, têm seus costumes telúricos, primitivos, porém autênticos, tanto quanto o nosso CARIMBÓ e o mestre Vieira pertence á essa classe. Porém, é claro que um sujeito medianamente inteligente, no mínimo, não deveria ficar assistindo por mais de 5 minutos. E premiar, usando o Teatro da Paz, é insano mesmo. Mas deixa o velho pra lá e não esquece que ainda há mais três mestres, que vêm por ai! Guenta sô!

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  2. Meu companheiro, a arte é metafísica. O gosto, bom ou mau, é decorrente do costume. Não cabe, em hipótese alguma, quereres exigir das pessoas o teu entendimento. O povo gosta de dançar. A música que tu escutas, para eles, também é entediante. Então, por favor, atiras pérolas aos porcos. Ou como queiras chamá-los. Tenho certeza que eles, da mesma forma que tu, estão cagando e dançando para as tuas considerações. Vamos nos preocupar com o governo que é uma merda e nada ensina, onde as escolas de músicas são poucas e precárias. Um beijo guitarrado para ti. Sim, eu também não gosto deste tipo de música, mas considero o que existe.

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    1. Camilo, a falta de referência leva a isso, eles não sabem o que é bom. Não nego a existência desses ogonorantes, mas que fiquem em seus guetos. O que não pode é o governo difundir o que é ruim. Se fizesse o contrário teríamos sim um povo com ouvidos mais apurados e culturalmente melhor em termos musical.

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  3. Dr. camilo, por acaso alguma vez o senhor já dançou Wagner, Mozart, Bach, mesmo que isto já tenha acontecido duvido e aposto que tenhas conseguido roçar alguma coisa na dama, diferentemente da guitarrada do mestre vieira, ela não agrada pois elefante não dança a não ser em circo.

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    1. A conversa ainda não chegou em Concórdia.

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  4. Renato Vieira, com todo respeito ao prezado Camilo, acho que gosto se discute sim. Apenas há de se considerar o meio social e histórico. Gosto é uma coisa que se constrói socialmente e, sendo assim, passa a ser uma coisa objetiva. Só se pode ter preferência por determinado gosto, quando as questões em comparação são de mesmo nível. Não tem sentido preferir o carimbó em relação à bossa nova; são de universos distantes. Agora, apedrejar o gosto dos humildes, é tripudiar o ser humano e não entender as diferenças sociais e históricas. Já pensou se o querido Mestre Vieira, há sessenta anos atrás, tivesse nascido em Saint Luiz/ EEUU? Ou na POrtela do Rio? Talvez hoje fosse um craque. Na verdade, tudo evolui, tanto que o samba, mesmo o chamado de raiz, tem uma parte de alto nível e tem também porcaria, né? Sds. Paulo Andrade

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    1. Paulo pegando o teu gancho, não há como comparar por exemplo mestre Vieira com um Paulo da Portela, Monarco, Argemiro, Manacés, Casquinha e muitos outros. Esses apesar de não terem tido oportunidade de ter uma formação musical acadêmica, se esmeraram e fizeram o que há de melhor. Assim é possível sim ser um Cartola, um Nelson Cavaquinho, que fizeram dentro do contexto simples onde viveram algo de qualidade. Luiz Gonzaga é outro exemplo. O que demonstra que o meio simples e a baixa formação musical não são necessariamente as causas dessas aberrações. O que não entendo é a razão daqueles que têm referencial musical e bom senso, de endeusarem essas porcarias feitas pelo mestre Vieira.

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  5. Disse o Renato: "é possível sim ser um Cartola, um Nelson Cavaquinho, que fizeram dentro do contexto simples onde viveram algo de qualidade. Luiz Gonzaga é outro exemplo". Ora, esses caras moravam em lugares simples e tinham empregos simples, é verdade, porém, viveram em grande inter-relacionamento com a cidade grande. O morro no Rio é em cima mas a urbe cosmopolita está logo em baixo. Esses caras, de alto nível, não estiveram isolados da sociedade mais desenvolvida e, ainda tinha o carnaval, um grande link. O nosso pobre Mestre Vieira é um autodidata, culturalmente isolado das coisas mais altas. Vê se entende, pô! Assunto resolvido.

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